BC confirna país em recessão e alimenta incertezas quanto ao futuro do pleno emprego

Recessão vai bater forte no emprego

O início conturbado do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff deixa claro que a petista terá dificuldades de cumprir duas promessas feitas em campanha: proteger o emprego mesmo diante da estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) e livrar o país do ajuste recessivo que o PT atribuía à candidatura derrotada do senador Aécio Neves (PSDB). A julgar pelos prognósticos para a economia, manter a palavra será tarefa quase impossível.

“Nossos problemas são tão grandes que é praticamente inevitável que 2015 seja marcado por uma contração forte da atividade”, decreta o economista sênior do Besi Investimento, Flávio Serrano. Um relatório do banco Credit Suisse dá a dimensão desse tombo. Os analistas do banco calculam que o PIB encolherá 1,5% este ano.

Em bom português, significa a volta da recessão, algo que os brasileiros só experimentaram duas vezes nas últimas duas décadas: em 1992, durante o governo Itamar Franco, quando a economia encolheu 0,54%; e em 2009, no segundo mandato do ex-presidente Lula, quando o PIB retraiu-se 0,3%, por causa da crise financeira mundial. O tombo de Dilma seria, portanto, 2,7 vezes superior ao de Itamar e cinco vezes maior do que o de Lula.

E essa conta ainda pode aumentar. A começar pelos problemas climáticos, não são poucos os motivos que podem abortar o crescimento econômico em 2015. A estiagem prolongada que atinge São Paulo desde o ano passado já é sentida com mais força também no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. “Se não chover”, alertou o governador mineiro Fernando Pimentel (PT), “no máximo em três meses enfrentaremos um racionamento severo.”

Nesse caso, a contração do PIB seria ainda maior do que a prevista pelo Credit Suisse. Os analistas da consultoria Tendências, por exemplo, estimam que a queda da atividade poderia ser superior a 2%. Isso porque, sem as chuvas que tanto têm faltado, a matriz energética movida predominantemente a usinas hidrelétricas ficaria à míngua.

Parte dos reservatórios que atendem o Centro-Oeste e o Sudeste está na mínima histórica. Na média, a situação atual de todos os rios que abastecem o sistema está em 16,6%, segundo cálculos do Operador Nacional do Sistema (ONS). Alguns deles já se esgotaram, como o Rio Paraná, que deveria atender 3% da região, mas que está completamente seco. “O colapso do sistema elétrico praticamente sacramentará uma forte recessão em 2015”, sentencia o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira.

 

Desemprego

 

Quem sofrerá as consequências desse cenário desanimador para a economia será o trabalhador. A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara, traçou dois cenários para o comportamento da taxa de desemprego no país. No primeiro, chamado de “torneira seca”, ela estima que as consequências do racionamento de água levarão o desemprego a subir dos atuais 4,8% para 5,5% da população economicamente ativa, até o fim do ano. No segundo modelo, batizado de “apagão”, o desemprego subirá para 6,1%.

Esse número não leva em consideração um cenário já imaginado por alguns analistas, que prevêem a total paralisia dos investimentos devido à devassa na Petrobras e os desdobramentos da operação Lava-Jato, que levaram à demissão da presidente da estatal, Graça Foster, e de cinco dos seis diretores da empresa. Maior empresa do país, a petroleira tem negócios com diversas companhias, desde empreiteiras a bancos.

A interrupção dos projetos, como já foi anunciada pela diretoria anterior, tende a afetar a taxa de investimentos no país. Não por outro motivo, o diretor do Departamento Econômico do Bradesco, Octavio Barros, calcula que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cairá 3% este ano. Isso após o forte tombo de 8% registrado em 2014.

O engavetamento dos planos de expansão da capacidade produtiva desencadeará um efeito dominó na economia. Quanto menos o empresário investir, mais o PIB cairá. E, enquanto durar essa indefinição sobre quando, enfim, a economia parará de cair, haverá menos pessoas dispostas a tirar o dinheiro do banco e aplicá-lo num projeto com risco elevado.

“Ainda estamos tentando descobrir qual é o vale da economia, nos perguntando quando o PIB parará de cair”, emenda o economista-chefe da Associação das Instituições de Crédito e Financiamento (Acrefi), Nicola Tingas. Para ele, as incertezas sobre 2015 contaminam expectativas para 2016. “Se o governo não conseguir despertar o espírito animal do empresariado, o que vai acontecer?”, questiona Tingas, para responder: “Provavelmente, uma recessão ainda mais prolongada do que nós todos imaginávamos.”

Seja qual for o cenário traçado, é importante que apertar o cinto e eliminar gastos desnecessários do orçamento doméstico, de modo a se preparar para dias mais difíceis pela frente, diz o economista Samy Dana, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo. “Teremos um ano desafiador pela frente. E, provavelmente, um ciclo muito difícil nos próximos quatro anos”, conta. “Que isso vai chegar ao trabalhador é inevitável. Então, é importante que as pessoas se dêem conta que a queda do PIB resultará em piora da qualidade de vida, avalia o professor, que decreta: “O tempo de vacas gordas acabou.”

 

DECO BANCILLON

 

O início conturbado do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff deixa claro que a petista terá dificuldades de cumprir duas promessas feitas em campanha: proteger o emprego mesmo diante da estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) e livrar o país do ajuste recessivo que o PT atribuía à candidatura derrotada do senador Aécio Neves (PSDB). A julgar pelos prognósticos para a economia, manter a palavra será tarefa quase impossível.

“Nossos problemas são tão grandes que é praticamente inevitável que 2015 seja marcado por uma contração forte da atividade”, decreta o economista sênior do Besi Investimento, Flávio Serrano. Um relatório do banco Credit Suisse dá a dimensão desse tombo. Os analistas do banco calculam que o PIB encolherá 1,5% este ano.

Em bom português, significa a volta da recessão, algo que os brasileiros só experimentaram duas vezes nas últimas duas décadas: em 1992, durante o governo Itamar Franco, quando a economia encolheu 0,54%; e em 2009, no segundo mandato do ex-presidente Lula, quando o PIB retraiu-se 0,3%, por causa da crise financeira mundial. O tombo de Dilma seria, portanto, 2,7 vezes superior ao de Itamar e cinco vezes maior do que o de Lula.

E essa conta ainda pode aumentar. A começar pelos problemas climáticos, não são poucos os motivos que podem abortar o crescimento econômico em 2015. A estiagem prolongada que atinge São Paulo desde o ano passado já é sentida com mais força também no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. “Se não chover”, alertou o governador mineiro Fernando Pimentel (PT), “no máximo em três meses enfrentaremos um racionamento severo.”

Nesse caso, a contração do PIB seria ainda maior do que a prevista pelo Credit Suisse. Os analistas da consultoria Tendências, por exemplo, estimam que a queda da atividade poderia ser superior a 2%. Isso porque, sem as chuvas que tanto têm faltado, a matriz energética movida predominantemente a usinas hidrelétricas ficaria à míngua.

Parte dos reservatórios que atendem o Centro-Oeste e o Sudeste está na mínima histórica. Na média, a situação atual de todos os rios que abastecem o sistema está em 16,6%, segundo cálculos do Operador Nacional do Sistema (ONS). Alguns deles já se esgotaram, como o Rio Paraná, que deveria atender 3% da região, mas que está completamente seco. “O colapso do sistema elétrico praticamente sacramentará uma forte recessão em 2015”, sentencia o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira.

 

Desemprego

 

Quem sofrerá as consequências desse cenário desanimador para a economia será o trabalhador. A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Marzola Zara, traçou dois cenários para o comportamento da taxa de desemprego no país. No primeiro, chamado de “torneira seca”, ela estima que as consequências do racionamento de água levarão o desemprego a subir dos atuais 4,8% para 5,5% da população economicamente ativa, até o fim do ano. No segundo modelo, batizado de “apagão”, o desemprego subirá para 6,1%.

Esse número não leva em consideração um cenário já imaginado por alguns analistas, que prevêem a total paralisia dos investimentos devido à devassa na Petrobras e os desdobramentos da operação Lava-Jato, que levaram à demissão da presidente da estatal, Graça Foster, e de cinco dos seis diretores da empresa. Maior empresa do país, a petroleira tem negócios com diversas companhias, desde empreiteiras a bancos.

A interrupção dos projetos, como já foi anunciada pela diretoria anterior, tende a afetar a taxa de investimentos no país. Não por outro motivo, o diretor do Departamento Econômico do Bradesco, Octavio Barros, calcula que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cairá 3% este ano. Isso após o forte tombo de 8% registrado em 2014.

O engavetamento dos planos de expansão da capacidade produtiva desencadeará um efeito dominó na economia. Quanto menos o empresário investir, mais o PIB cairá. E, enquanto durar essa indefinição sobre quando, enfim, a economia parará de cair, haverá menos pessoas dispostas a tirar o dinheiro do banco e aplicá-lo num projeto com risco elevado.

“Ainda estamos tentando descobrir qual é o vale da economia, nos perguntando quando o PIB parará de cair”, emenda o economista-chefe da Associação das Instituições de Crédito e Financiamento (Acrefi), Nicola Tingas. Para ele, as incertezas sobre 2015 contaminam expectativas para 2016. “Se o governo não conseguir despertar o espírito animal do empresariado, o que vai acontecer?”, questiona Tingas, para responder: “Provavelmente, uma recessão ainda mais prolongada do que nós todos imaginávamos.”

Seja qual for o cenário traçado, é importante que apertar o cinto e eliminar gastos desnecessários do orçamento doméstico, de modo a se preparar para dias mais difíceis pela frente, diz o economista Samy Dana, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo. “Teremos um ano desafiador pela frente. E, provavelmente, um ciclo muito difícil nos próximos quatro anos”, conta. “Que isso vai chegar ao trabalhador é inevitável. Então, é importante que as pessoas se dêem conta que a queda do PIB resultará em piora da qualidade de vida, avalia o professor, que decreta: “O tempo de vacas gordas acabou.”

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