Onde os ricos não assinam o próprio nome

A taxa de analfabetismo entre as pessoas acima de 18 anos encolheu 19,7% nas duas últimas décadas. Ainda assim, até hoje, um a cada cinco adultos em São Gabriel da Cachoeira não sabe ler ou escrever. A cearense Iraci Moreira Alves, 59 anos, é uma dessas pessoas. Uma das comerciantes mais bem sucedidas da cidade, ela mal sabe assinar o próprio nome. Sem estudo, restou apenas o esforço para conseguir mudar de vida.

Há mais de 30 anos, começou a juntar o dinheiro das vendas que fazia em ouro, numa garrafa pet de refrigerante. De grão em grão construiu verdadeiro império. Hoje, é dona de um prédio comercial onde funcionam duas lojas de confecções e de um sobrado situado em uma das regiões mais nobres da cidade, localizado na orla do Rio Negro, onde futuramente pensa em instalar uma pensão. Sua última empreitada, um restaurante, tem garantido um quinhão a mais no fim do mês.

Todos os dias, ao entardecer, ela abre as portas de casa e serve o tacacá, uma comida típica amazonense. E foi nessa rotina de trabalhando, que não para mesmo aos sábados e domingos, que ela conseguiu levantar dinheiro suficiente para pagar os estudos e manter das duas filhas morando fora de casa, em boas faculdades fora do município. “Minhas filhas serão doutoras e, com certeza, terão uma vida melhor do que a minha”, diz, orgulhosa, a mãe Iraci. “Hoje, a gente dá valor ao estudo, porque sem ele tudo fica mais difícil”, emenda.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s