Batalha pelo ouro aos pés da Amazônia

Quem também sentiu no bolso o fim do garimpo foi a tocantinense Socorro Duarte Rocha, 48, que há mais de três décadas é ourives em São Gabriel da Cachoeira, ofício que aprendeu com o pai, recém-falecido. “Hoje, a profissão está praticamente extinta”, constata. Durante o auge do garimpo, nos anos de 1990, cunhar peças em ouro era uma das profissões mais rentáveis na cidade. “A gente via muito garimpeiro enriquecer, ou bamburrar, como a gente diz por aqui”, conta.

Naquela época, diz Socorro, era comum receber pedidos para cunhar jóias de até 150 gramas de ouro maciço, que adornavam o pescoço de índios e garimpeiros de toda a região. Mas, na mesma facilidade em que se achava ouro no Rio Negro, era brutal o processo de dilapidação do patrimônio vindo do garimpo. “Uma pessoa que pegava dois quilos de ouro, meses depois, já não tinha um tostão no bolso”, relata.

Apesar disso, não são poucos os moradores da cidade que sentem falta dessa época. Por isso, a extração ilegal ainda corre à solta em São Gabriel. Mas, agora, em vez das vigiadas águas do Rio Negro, o garimpo amazonense migrou para o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil, a mais de 3 mil metros de altitude. Com um porém: o acesso à região é permitido apenas aos índios Yanomámi, demarcados na área.

Assim, quando não entram na mira da Polícia Federal, os garimpeiros de São Gabriel da Cachoeira acabam arriscando a vida em conflitos armados com os índios. “Ainda existem riqueza e morte no garimpo. Mas essa não é uma vida que eu tenha interesse. Hoje, tudo o que eu quero é chegar em casa depois de um dia de trabalho e deitar minha cabeça no meu travesseiro sossegado. Isso ouro algum paga”, assegura José Ari.

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